Diário de gravidez

Meu último diário

Foto: Pinterest

Não sei ainda como atravessei esta última semana. Os últimos dias não têm sido nada fáceis, e às vezes custo a acreditar que a casa voltou a ser apenas para dois. Eu até consigo ser forte de dia, com tantas pessoas carinhosas comigo, com a TV ligada e as janelas abertas, mas à noite, quando a última luz se apaga aqui em casa, o mundo desaba nos meus olhos e debaixo dos lençóis. Eu ainda não acredito que em minutos a vida se transformou, de uma doce espera para um mar de solidão. Todos os últimos dias, quando acordo e olho para a barriga que me restou, tento entender toda essa despedida ainda sem explicação.

É difícil escrever qualquer coisa, então, para piorar escrevo do quarto que deveria ser de Joaquim. Não há mais nada aqui, a não ser as coisas já que existiam antes dele. Sempre sonho acordada comigo colocando ele no berço que compramos com tanto carinho e até meio apertados, e que nem sei por onde está. É difícil escrever quando você não conseguiu sequer se despedir de alguém que acompanhava você 24 horas por dia. É difícil escrever, quando você achava que um dia voltaria pra casa com um monte de malas e um morador novo nos braços, e de repente os planos mudam.

Quarta-feira, 11 de maio, completamos um ano de casados. Havíamos combinado de jantar na Adega onde casamos, mas uns dias antes meu marido resolveu cancelar e me fazer um jantar surpresa. Camarões no molho, frios e amendoins. "Foi o que o dinheiro deu", ele me disse. Para ele vinho, pra mim água. (Ele esqueceu do suco!) A mesa estava tão linda quando saí do banho, com Erasmo Carlos e Marisa Monte cantando na sala. Jantamos uma noite cheia de sorrisos e de "não acredito que já faz um ano!".

Mais ou menos nove e quarenta e cinco da noite. Lembro que eu estava no quarto e ouvia o início da transmissão da Copa do Brasil que ele assistia da sala. Comecei a sentir pequenas dores na barriga. Nem pareciam dores no início. Parecia mais um leve desconforto. Era algo que ia e voltava, não sei explicar. Chamei meu marido e enquanto ele pesquisava na internet o que poderia ser, eu consultava um grupo de mães e gestantes que tenho no whats app. As meninas me disseram que podiam ser as chamadas "contrações de treinamento" que geralmente começam a partir das 23 semanas. (Eu estava com 25+7, os exatos seis meses completos de gestação).

Tomei um banho quente, e em poucos minutos o desconforto se transformou em uma dor mais intensa. Quando me enxuguei, vi o papel melado de sangue. Pouco sangue, mas sangue. Chamei a médica imediatamente no whats e ela me orientou a ir para a maternidade municipal. Eram 22h20, quando nos falamos pela última vez. Não sei como entrei no carro com tanta dor. Não acreditava que tudo que eu sentia era apenas "treinamento". E realmente não era. Saímos apressados pela cidade. Passamos em um hospital que me atende pelo plano. Não era o que eu havia escolhido para o parto, mas pelo menos estava no meio do caminho e era particular. O que não sabíamos é que partos prematuros só são atendidos na maternidade municipal, tendo você plano de saúde ou não.

Não sei como não tive meu bebê no carro mesmo. Chegamos na maternidade, e enquanto a burocracia da ficha era preenchida eu me alternava de um banco na sala de espera, para o banheiro, sempre segurando minha barriga e sempre com minha sogra ao meu lado. Levantei o vestido e vi o protetor de calcinha completamente ensanguentado. Nesse mesmo instante comecei a sentir o bebê coroar e me apavorei com a intensa dilatação. Era como se alguém estivesse me abrindo de dentro pra fora. Uma dor inacreditável. Comecei a chorar e a gritar, quando uma médica (acho que pediátrica, pela estampa alegre da roupa) me levou para fazer o toque.

Não teve toque. Quando deitei na posição recomendada, a bolsa estourou e veio cheia de sangue. Muito sangue. Um mar de sangue. Sangue como eu jamais havia visto antes. Olhar foi o suficiente para médica pedir urgência em me levar para a sala de parto. Um parto de sangue foi o que dizem que eu tive. Natural, sem nenhum corte, mas cheio de sangue. Joaquim estava nascendo, e eu sabia, e só não foi mais desesperador porque minha sogra estava comigo o tempo todo. Todos os telefones da casa dos meus pais davam caixa postal. Um mundo de coisas passava pela minha cabeça. Fiz forças que nunca imaginei que tivesse. Acho que foram três.

23h15 Joaquim nasceu com 900 gramas, e visualmente com cerca de 40 centímetros. Cinquenta e cinco minutos depois de eu sair de casa sem saber que não ia voltar. Não ouvi ele chorar, e acho que pelas duas horas seguintes ele não chorou. Ele nasceu quase sem respirar. O rostinho que eu nem cheguei a ver, já estava mais escuro que todo o branquinho do corpo. Quatro médicos fizeram manobras para reanimá-lo, não sei exatamente quais, mas fizeram durante duas horas e cinco minutos. A única coisa que lembro é  que quando ele saiu eu levantei pra vê-lo e alguém me empurrou de volta levando ele embora. Depois disso, só vi uma encubadora pequenininha com mini balões de oxigênio e outros equipamentos passando na minha frente. A última vaga da UTI neonatal daquela noite foi dele.

Não cheguei a vê-lo. Não cheguei a colocar ele no colo. Não peguei na mãozinha dele. Atravessei uma madrugada de ansiedade, para só na manhã seguinte alguém me dizer que ele não resistiu. Que o oxigênio não estava chegando ao cérebro, por isso a cabeça mais escura que o resto do corpo. A causa da morte foi atestada como sufocação de alguma coisa que não sei o nome. A pediatra me disse que por causa disso, Joaquim não teria ma vida tranquila se conseguisse respirar um pouco mais. Acreditam que eu tive descolamento de placenta, mas é preciso investigar. (Fiz quatro ultrassons, e na última deu "leve dilatação do colo do útero". Minha mãe se preocupou, mas a médica não. Lembro de ouvir exatamente estas palavras dela. "A vida é complicada pra quem se complica". Ela leu o exame, em 18 de abril, disse que não era nada demais e que eu não precisava deixar de fazer nada. E não deixei. Como sou muito "paranoica" aperreei um pouco e ela me passou o utrogestan, e marcou de me ver no dia 23 de maio... Não nos encontraremos de novo, é claro!).

Se eu disser que desceu alguma lágrima, quando eu recebi a notícia crua às 8h e pouco da manhã seguinte, estarei mentindo. Eu só desabei mesmo uns dois minutos depois quando meu marido entrou na ala de alto risco pra me ver. Desabei mesmo. Aliás, desabamos juntos abraçados em meio a outras sete mães e seus bebês que dividiam o quarto comigo. E cada minuto ali foi cruel. Não porque as pessoas me trataram mal. Eu fui muito bem atendida, aliás, como não imaginava que poderia ser depois de tantas reportagens que falavam da frieza da maternidade.

Cruel foi passar duas noites e uma manhã inteira olhando para uma bebê que estava bem do meu lado, e ouvir a mãe resmungar que ainda não havia se decidido se ficava ou não com ela. Cruel foram essas duas noites e uma manhã com sete mães e oito bebês. Oito sim, porque uma delas teve gêmeos. Lotação completa no quarto. Mas não pra mim. Cruel foi a todo instante chegar uma enfermeira diferente perguntando por onde estava o meu bebê. O que eu deveria ter respondido? "Está lá embaixo, na pedra, pra onde levam todo mundo que vai ser colocado num caixão, ou numa versão menor". Cada minuto ali foi de coração dilacerado. Foi cruel tomar um remédio pra impedir que meu leite descesse. Foi cruel ver minha mãe de um lado para o outro a madrugada inteira, fugindo pra não chorar na minha frente. Meu marido diz que pra ele, a pior parte foi registrar no cartório. O nascimento e, em seguida, óbito, o nome que escolhemos com tanto carinho. A quem chamávamos preguiçosamente de Joca.

Foi cruel ter que decidir se vou dar entrada na licença-maternidade a que tenho direito, ou se vou preferir um atestado com tempo menor pra enlouquecer em casa. Foi cruel ter que pensar em outras coisas. Nas coisas que não podem esperar que a minha dor passe. Foi cruel sair do hospital sem Joaquim. Ou sem saber que vou voltar no dia seguinte pra esperar ele voltar pra casa comigo. Eu queria muito voltar pro meu apartamento, mas tive que esperar dois dias até que tudo fosse limpo, desmontado e mandado pra bem longe de mim. Não sei se foi melhor ou pior, mas foi cruel entrar em casa e ver o quarto dele sem as coisas que eram dele.

Foi cruel não encontrar nenhuma fralda, nenhuma mamadeira, nenhuma roupinha que escolhemos pra ele imaginando o dia de levar para a vacina, ou para a casa das avós. Se eu continuar, passarei o resto da vida dizendo como os dias têm sido cruéis comigo. Como a hora em que troco de roupa é desesperadora. Sinto falta das coisas que estavam comigo há uma semana. Sinto falta da minha barrigona. Sinto falta dos chutes no meio da madrugada que me despertavam pra fazer xixi. Sinto falta de estar ansiosa contando os dias para a data do parto. Sinto falta de tudo, especialmente de ter um bebê em mim e amá-lo mesmo antes de conhecê-lo pessoalmente. Sinto falta de conversar com o meu "bolinho de goma". Meu "guri véi". Sinto falta das coisas como estavam antes daquela quarta-feira. Antes de eu achar que voltaria para um expediente normal no dia seguinte. Antes de o sonho terminar onde geralmente ele começa.

Os avós cuidaram de enterrá-lo, e sei que foi muito doloroso para todos eles. Minha mãe disse que Joaquim tinha um cabelo ralo, pernas grandes e um nariz afiladinho. Estava todo formadinho, mas pela idade gestacional era muito frágil e magrinho. Tinha adesivos em várias partes do corpo. A mortuária cuidou da roupinha e de arrumá-lo na urna. Meu Deus... Naquele dia, minha mãe tinha comprado o primeiro pacote de lenços para ele e estávamos planejando a chegada da cômoda. Mal dá pra acreditar que horas depois eles estavam enterrando o meu bebê dentro de uma caixinha com flores. O bebê que eu não planejei ter. Que me deixou assustada no início, mas me fez viver cada dia desse sonho como se eu simplesmente tivesse nascido para isso.

Um batalhão de pessoas tem rezado, orado ou mandado energias boas por mim e pela minha minha família. São tantas pessoas lindas que me trazem palavras de conforto, que mesmo na dor tenho sido surpreendida com o quanto sou amada. Pessoas da minha cidade, da minha infância, da época do colégio, da faculdade, da redação, amigos blogueiros que nem conheço pessoalmente, amigos das antigas, amigos de amigos, amigos de trabalho dos meus pais e dos meus sogros. Gente que se acorda no meio da noite para pedir que Deus me dê paz. Gente que dá as mãos e ora por mim nas igrejas. Gente que reza uma prece sincera por mim nas missas. Gente que não acredita em nada, mas veio me desejar força. Gente como o meu marido, que tenta me fazer rir o tempo todo pra não me ver chorar, e quando não aguenta, chora abraçado comigo. Eu nem sei como agradecer a tantas pessoas lindas por tantos abraços.

E acho que foi isso que Joaquim me trouxe. Me trouxe as pessoas para mais perto de mim. Me trouxe os abraços que há anos eu não recebia. Me trouxe meus amigos de verdade para o meu lado. Me trouxe a vontade de ser mãe, que eu nem sabia que tinha. E acho que esse mundo aqui era pequeno demais pra ele.

Por dentro estou cheia de interrogações, um vendaval de hipóteses que não se acabam. Mas se tem uma coisa que eu não faço é contestar ou questionar nosso Senhor por isso. Não sou uma fiel muito assídua. Aliás, não sou nem assídua. Mas sou filha dEle, sou casa dEle, e sei que Ele quis o melhor para nós três. Essa é a única coisa em que consigo acreditar hoje e espero continuar acreditando pra sempre. Estou cheia de medos, mas acho que Ele entende, e que em breve vai curar todo esse aperto.

Por enquanto estou tentando me recompor. Dizem que logo passa. Não sei. Sei de pouca coisa nos últimos dias. Só sei que Joaquim não é meu. Joaquim é dEle, está com Ele e vai ficar. E por aqui vamos tentando encontrar distrações pra não pensar o tempo todo nos porquês. Não estou bem, mas vou ficar. Como diz uma música do Marcelo Falcão: "Pra quem tem fé, a vida nunca tem fim".

Por hora, a dor está aqui e este é o meu último diário.
Beijos. Agora, só de nós dois.
Diário de gravidez

24 semanas: o corpo grita mais alto

Arte/Foto: Canva

Essa foi a semana do ataque de doces, hahaha. Sempre amei doce e doce sempre foi um veneno pra mim. Começou no sábado, quando decidi fazer brownies. 1. Porque uma amiga de infância foi me visitar dia desses e levou um monte deles pra mim, e fiquei maravilhada. (Raíssa, te amo!). 2. Porque a receita parecia bem fácil. 3. Porque são brownies, gente!!!

A receita não deu certo. O brownie não virou brownie. Acho que deixei pouco tempo no forno, e não deu pra formar aquela casquinha absurda, típica da receita. Mas pelo menos virou um bolo delicioso. Um bolo molhado e fofinho e cheio de chocolate com doce de leite por dentro. Não era brownie, mas não sobrou pra quem quis. Menos mau! E depois do brownie que não era brownie teve umbuzada e uma festinha de 15 anos com muito bolo, salgadinhos e docinhos e todas essas porcarias que amamos!

O corpo começou a gritar mais alto
Pela primeira vez nessa gestação meus pés realmente pediram socorro. Amo andar descalça pela casa. Gosto de sentir o chão frio na ponta dos dedos. Fui varrer a casa, que nem é tão grande assim, e quando terminei, os coitados estavam bem vermelhos, com uns tornozelos que eu nunca vi na vida. Quase não conseguia andar direito. Coisa de doido! Mas nada que um banho, a nossa cama com lençóis novos, pernas pra cima e uma massagem nos pés não resolva. Sou gente de novo!

E por falar em partes do corpo, estou odiando minha bunda. Ai, como estou odiando minha bunda! Será que é pecado odiar a própria bunda, coitada? Sim, estou, e não se explicar. Só que me sinto gigante com ela. #abstrai

Plantão no futebol
No domingo eu, Joaquim e papai fomos ao estádio. O papai para as arquibancadas. Eu e Joaquim para a cobertura no gramado. Era final da Copa do Nordeste. Nosso time novamente na final. Uma emoção atrás da outra. Algumas pessoas ficaram meio chocadas com aquele barrigão andante com um bloquinho na mão, mas eu gosto de me movimentar. Gosto de ir ao estádio, especialmente se for para ver meu time do coração. Saímos sem a taça de Bicampeão, meio borocochôs, mas acho que esse título Joaquim vai ter que estar aqui pra ver. Vida que segue.

Flagrando o bebê mexendo
Essa semana consegui flagrar, pela primeira vez, em um vídeo Joaquim me empurrando. Nunca tinha conseguido. Parece que ele ouve quando chamo alguém pra ver. Então a tática é fingir de morta. O papai já viu ao vivo e a cores o contorcionismo na barriga. É tão maluco, e tão legal. (Quando não é de madrugada tá? De madrugada não é legal).

Estamos começando a correr pra ajeitar nosso chá. Pelo menos a lista já fechamos.
Beijos daqui
Gravidez

Onde está a magia da gravidez?

Foto: Amber Clarck/Barefoot blonde

Existem algumas coisas que ninguém te conta sobre ficar grávida. O momento mágico de ver alguém te abraçando por dentro vem recheado de bexiga cheia, pés que não aguentam o chão e quadris que dispensam qualquer meio minuto sentada. As partes do corpo disputam entre si quem terá mais privilégios. Quem grita mais alto. Tudo ao mesmo tempo. Uma sinfonia que termina sempre com você, resmungando bem baixinho enquanto escorrega para sair da cama com o maior conforto possível.

As costas doem, e se você andar muito, os joelhos parecem duas pamonhas gigantes. Aliás, você muda seu jeito de andar. Sabe o Timão e Pumba? Você será Pumba, o javali. Sua bunda fica desproporcionalmente maior do que você gostaria. Se depilar sozinha nunca pareceu um esporte tão radical. E quando qualquer coisa cai no chão, é hora de avaliar se vale à pena o contorcionismo que virá a seguir. Você nunca se importou antes, mas de repente começa a desejar ter uma cintura fina de novo pra usar um vestido bem marcado, ou uma calça de cintura alta. Coisas que até pouco tempo não faziam a menor diferença, agora fazem toda.

Você readapta a rotina louca que tem. Readapta o guarda-roupa que tem. Readapta a vida. Tudo pra receber um novo alguém. Você passa a se importar em dormir oito horas, ou mais, por noite. Você se importa em tomar água. Sempre. Toda hora. Em comer mais frutas e verduras e peixes e tudo que for bom pra vocês. Você simplesmente se importa.

E sabe onde está a magia de tudo isso? Vou te contar. Quando você deita e olha para aquele barrigão. Um baita barrigão que carrega mais um coraçãozinho dentro. O barrigão que já fez você ter que tomar mais distância da mesa, ou que esticou aquela sua camiseta preferida. O barrigão que alargou todas as calcinhas que vestiam aquele seu número 36. (Ai que saudade!) Parece que faz muito tempo né? Mas só fazem seis meses, e você já não sabe mais o que é um cabernet num sábado à noite, ou uma caipirosca na beira da praia. O barrigão que já não te deixa mais usar suas calças jeans. Aquelas que você reclamava de estarem meio folgadas, hahaha. Foi engraçada aquela época!

É quando você olha pra ele, para o barrigão, bem ali tapando a visão de todo o resto do seu corpo, que a magia acontece. Quando ele começa a mexer. Quando você sabe que o bebê está querendo conversar. Só vocês se entendem, e isso deixa o papai doido. Só você pode sentir as coisas que todo mundo queria. Você fala e ele responde com um empurrãozinho. E quando, na vida, você imaginou que poderia gostar de que alguém conversasse com você te empurrando? Pois é! 

E é quando ele te pega de surpresa no meio da tarde, e faz você soltar aquela gargalhada no meio do expediente, que você enfim entende. A magia está dentro de você. Você pode carregá-la o dia todo e para onde for. E todo mundo vê, embora você não saiba, seu rosto, além de mais bochechudo, está mais feliz assim. É a magia acontecendo. É a magia te transformando. Deixando que a menina dê espaço à uma outra menina, mais experiente, mais responsável e às vezes mais sensível também. 

A magia acontece quando você para por um minuto e percebe: você está dando flor!
Diário de gravidez

Diário de Gravidez: 23 semanas


Comecei a semana com um resfriado canalha, bem no feriado, bem no meu plantão no jornal. Triste fim. Se já é deprimente trabalhar num dia frio, cinzento e feriado, imagine com o corpo pedindo uma cama e uma boa massagem na garganta e nos pés? Passei o dia mal. Um pacote de lenços esquecido no fundo da bolsa há mais de um mês logo se tornou insuficiente pra sinfonia de "atchins" que rolou lindo.

Mesmo vacinada, fiquei cheia de medo por causa dessa coisa da gripe H1N1. Ainda não havia dado tempo de eu estar imune ao subtipo do vírus Influenza, já que o prazo é de 10 dias após a dose. Pedi ajuda a médica, e ela me passou uma vitamina C própria para gestantes.

Sobrevivi.

No final de semana, nós três ganhamos um super presente de vovó Niza, mais conhecida como minha sogra. Ela nos levou pra uma loja (BEM BACANA) onde compramos praticamente tudo de roupas que Joaquim vai usar nos primeiros meses. A cada prateleira em que passávamos, eu descobria o quanto eu não sei quase nada dessa vida de bebês. Sabe quando você está escolhendo uma roupa para uma ocasião super especial? Me senti meio assim.

A moça da loja me perguntou se eu já tinha conjunto "pagão". Arregalei os olhos sem saber o que responder. Eu já tinha ouvido o termo, obviamente, mas não sabia exatamente como diferenciar um pagão de qualquer outro conjunto de roupa. (E acho que ainda não sei). Joaquim ganhou tantos bodys, camisetinhas, shortinhos, calças, pijamas, macaquinhos, lençóis, toalhinhas, meias, que meu Deus! Fiquei imaginando uma mini pessoa vestindo cada coisinha pequena daquela. Como pode existir uma camiseta do tamanho da palma de uma mão em que caiba alguém? Meias em que só cabem meus dois dedos.

Voltei pra casa com uma mega sacola de coisas, que eu jamais saberia comprar sozinha, e que cá entre nós, eu provavelmente dividiria em 10 suaves prestações se não fosse a vovó. Joaquim ganhou mais que o enxoval, ganhou as primeiras doses de amor. 

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Recado do dia

Mas a gente precisa aprender a sobreviver a todos os dias que não deram certo. A todas as roupas que não couberam. Aos amigos que fingiam ser e não eram. Aos amores que foram sem avisar.
A gente precisa escolher seguir em frente.
Apesar deles. Apesar de nós.